Um belo mal gosto.


Havíamos achado um barzinho bem na Avenida Itaguaçu. Foi ali que a gente aportou nossa sede, apossados da tranquilidade de uma sexta feira a tarde, curtindo no som do carro um cd do Vinícius de Moraes.
Tudo ia muito bem até o exato instante em que a filha do dono do boteco chegou. Loira de olhos claros, uma beldade de corpo escultural no auge de seus dezenove anos. Um perfume de flor que acabra de sair do banho, um short minúsculo que arrastava nossa atenção. O dono do bar então passou o comando para a moça e saiu em direção à cidade pra fazer as devidas compras para o final de semana. Senti que a nossa tranquilidade tinha ido embora. Foi como se ela chegasse com sua lindíssima autoridade e nos falasse:
“Chega desse marasmo novecentista! É hora de capitalizar os sentidos e comprometer a sensibilidade. Vamos maximizar a ocupação da realidade. Abaixo a sutileza”...
Mas ela nada disse. Com seu porte de princesa, apenas ligou o aparelho de som do bar numa altura insuportável e colocou pra tocar um cd de Funk.
Numa briga de sentidos, os olhos queriam continuar admirando, mas os ouvidos não suportariam. Foi o exato momento em que deixamos aquela beldade pra trás e fomos garimpar outro boteco por aí...

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