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Mostrando postagens de Outubro, 2013

A assunção de Nhá Risoleta

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O dia despertava na cantoria dos galos nos terreiros dali. A Rua do Pinhão tinha um brilho indefinido. Beirava uma transcendência bem peculiar.  O vira latas entregou-se ao latido rouco descortinando uma presença pelo lado de dentro da cerca de bambu: -Bom dia Nhá Risoleta! Pés descalços, num vitorioso encontro com o chão, vinha ela: -Acordou cedo hoje neguinho... -É que eu vim cortá uns bambu pra módi a gente fazê um encanamento e puxá água do brejo do cemitério. -Água de difunto? Deus me livre Ambrósio... Mas ocê pode ficá a vontade no quintar viu nêgo. E cuidado com essa foice enferrujada viu... -A Nhá Risoleta num tá ino carregá água  não? Faz dia que eu tô vêno sua lata ai fora encostada no tempo... -Num tô ino não meu fio. Eu num tô me sentindo bem não sabe. -E hoje tem tanta gente na paricida. A Nhá ia podê ganhá bastante jutório dus romêro. -Pois é... Pra semana, se eu tive mió e Nossa Senhora da paricida permiti, eu vorto na praça. Cê qué tomá uma caneca de café? -Carece não Nhá Risoleta…