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Mostrando postagens de 2018

Tempo de oração

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De uma forma bem emocionante, a saudosa Sra. Helena Lélis relata em seu livro "Vivências - Sob o azul de Aparecida", de 2002, a vez em que enviou uma carta ao Presidente Marechal Castelo Branco, onde lhe contava que, por ordem de S. Eminência o Cardeal Mota, era rezado todas as noites na Basílica Velha, um terço por intenção do Presidente da República, que também era transmitido pela Rádio Aparecida. Assim, o Presidente recebia diariamente as orações dos brasileiros em todos os quadrantes da nação. Castelo Branco foi o primeiro Presidente Militar depois de deflagrado o golpe de 1964.
Naquela época, bem parecida com essa de agora, a democracia colocava-se sob um maciço ataque onde houve uma grave cassação de direitos. O Cardeal Mota então achou necessário que, pelas ondas da Rádio Aparecida, o povo brasileiro, em meio a repressão, ainda fosse capaz de rezar ao chefe da nação. Vivemos um tempo de incertezas, onde a intolerância se espalha na velocidade da luz. As faladas "…

Conto: Os milagres da Grande Guerra - 2º Colocado no XXIX Concurso de Contos da Biblioteca Municipal de Aparecida 2018

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O Pracinha Soldado Benedito Barreto Filho

Quem poderia imaginar que o embarque do Monsenhor Feney, da cidade de Paraibuna, mudariapara sempre o destino de um jovem soldado, cuja família, se reunia todas as tardes ao redor do velho rádio capela para, depois do Angelus, saber as notícias da guerra? A atenção, sem dúvida, era para o boletim médico do combate na Itália que era lido, logo em seguida das notícias, por uma enfermeira.  Quem poderia imaginar que um dia o caminho de tantas pessoas envolvidas podia se cruzar?
O bonde, enfim, descia a Rua Barão do Rio Branco, vindo um pouco atrasado da Praça Nossa Senhora Aparecida. O mensageiro saltou dele apressado e apenas cumprimentou a jovem Conceição que da janela perguntava: - Nenhuma carta para nossa família? - Infelizmente não senhorita... Ela sabia que, em tempos de guerra, as correspondências dos soldados que lutavam na Itália eram severamente censuradas por razões de segurança. Mas a falta de notícias de seu irmão não entristecia seu cora…

Os 150 Anos da Fotografia em Aparecida - 1868/2018

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O termo “photógrafhu” foi empregado pela primeira vez no Brasil em 1834 quando a introdução da fotografia ocorria em razão do crescimento econômico gerado pela expansão da lavoura cafeeira. Isso, aliado ao fato da implantação de estradas de ferro, propicia o desenvolvimento dos centros urbanos. Era no Vale do Paraíba, em meados do século XIX, que vinha a maior quantidade de café, concentrando grande parte da riqueza brasileira. Nas cidades do interior os fotógrafos se caracterizavam por sua mobilidade à procura de mercado. Luiz Robin e Valentin Favreau foram os primeiros que em 1868, vindos de Paris, transferiram seus ateliês para Guaratinguetá. Nos versos de suas fotografias havia um carimbo onde também estava gravado “Apparecida”. Em 1869 eles tiveram permissão do vigário para retratar a verdadeira Imagem de Aparecida, o que se pode confirmar no Jornal CorreioPaulistano de janeiro de 1884. O aumento das romarias em Aparecida e a inauguração da estrada de ferro levaram também outros fot…

E vive la France! Sqn...

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Mais uma copa do mundo chegou ao fim e outra vez a seleção canarinho sucumbiu diante do futebol moderno, desta vez tendo a Bélgica como algoz. Mas ficou provado que o nosso país conseguiu superar o fatídico 7a1. A gente não teve nem tempo de se aborrecer com mais uma eliminação, pois o WhatsApp se encarregou de nos salvar da tristeza e da decepção.
Foi assim desde o primeiro jogo contra a Suíça (1a1). E a gente "caía" na risada a cada piada que chegava ilustrando os tombos da nossa maior espetança, o camisa 10 Neymar Jr. E como todo brasileiro eu ri copiosamente da eliminação da Alemanha (que jogou de verde) logo na primeira fase. "Ninguém vem aqui na terra da macumba, ganha de 7a1 da gente sem ter sérios problemas mais tarde", sentenciou o WhatsApp nessa mensagem que eu  recebi umas 30 vezes.
O aplicativo, além de nos alegrar, também tentou fazer a gente se sentir vingado e esperançoso.
E assim, a copa seguiu com nossos hermanos argentinos nos dando alegrias e deixando…

A magnitude da APAE de Aparecida

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Se existe uma coisa que não me canso de fazer quando estou em casa é ficar olhando pra Larissa. Ela tem esse poder de me desvendar novos “eus”, quando cantarola suas histórias sozinha.Uma motivação incomum que me leva a apreciar diferentes paisagens, sem deixar esse meu lugar de origem. É por isso que eu entendo que a criança autista tem em si uma vocação educativa, um conceito primordial que norteia nossas ações para além de coisas materiais. São essas memórias sensoriais e afetivas os verdadeiros legados dessa experiência que tenho com essa menina, pois, ao termos contato com oque se apresenta diferente, ampliamos nosso repertório sobre a diversidade de comportamento e isso nos faz entender melhor as pessoas ao nosso redor. Está enganado quem pensa que o autista vive “trancado” em seu mundo. Ele é plural. Por inúmeras vezes, um complemento de coisas que nos faltam. Um palco de manifestações lindas e bem mais inteligentes que as nossas. Há poesia em seus gestos. Logo após seu ingres…

Os Fotógrafos das Ruas

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Embora a profissão de fotógrafo em Aparecida seja antiga, remontando ao ano de 1868, poucos destes profissionais tiveram na história seus nomes homenageados para designar logradouros daqui. Num levantamento realizado em livros, jornais e mapas, além de uma minuciosa busca entre as leis digitalizadas do Site da Câmara Municipal de Aparecida, consegui enumerar 12 nomes de retratistas que nomeiam algumas ruas em nossa cidade. O “photógrapho” Augusto Monteiro, conforme narra a lei Municipal nº 1056 de 1964, decretada e promulgada pelo Prefeito Aristeu Vieira Vilela, empresta seu nome para designar a rua, que até os dias atuais, todos chamam e conhecem como Rua Santos Dumont. Ao longo do tempo, o nome de Augusto Monteiro passou a denominar também o Boulevard atrás da Matriz Basílica, no Centro Velho, que atualmente recebe o nome de Benedicto Moreira César – que já se chamou Euclides de Oliveira Figueiredo. O local se denomina Rua Augusto Monteiro até um certo ponto específico desse “esca…

Perdida no tempo...

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Uma das maiores buscas em todos os tempos entre historiadores a apreciadores da história aparecidense tem sido a caça a uma imagem perdida no tempo que pudesse mostrar o rosto de um dos mais importantes personagens da Terra da Padroeira do Brasil: Simão Marcelino de Oliveira, mais conhecido por Simão Miné. Conforme narra o saudoso mestre Benedicto Lourenço Barbosa na edição número 53 do Jornal O Lince de outubro de 2013, Simão Marcelino de Oliveira nasceu em Pindamonhangaba aos 06 de agosto de 1852, filho de José Marcelino e Benedita de Oliveira, falecendo aos 70 anos de idade em Aparecida aos 15 de outubro de 1923. Segundo informações colhidas, Simão Miné, pela data de seu nascimento, deve ter sido mais um escravo doado para a Santa Aparecida como era o costume da época. Outro ponto dessa sua história ainda narra que Simão Miné foi um “negro ladino”, que amealhou fortuna vendendo água aos romeiros que vinham de longe rezar aos pés da Santa. Consta que ele foi detentor de muitas terr…

Rua da Saudade

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Em atas da Câmara de Guaratinguetá do ano de 1843, o então vereador Padre Israel Pereira dos Santos Castro, sugere a “creação de um cemitério na freguesia d’Apparecida”. A Prefeitura de Guaratinguetá compra neste mesmo ano um terreno localizado atrás da igreja velha, na antiga Rua Major Martiniano. Em 1852 o cemitério estava pronto e os sepultamentos deixaram de serem feitos na “Capella” ou em seu pátio. 
Em meados de 1913, a direção da Basílica Velha comunica que pretendia dar outra finalidade ao terreno onde se localizava o cemitério. Os interessados que tivessem parentes ali enterrados deveriam agilizar o transladar dos mesmos para o “cemitério novo”, que já estava em estudos avançados para ser criado.
Era numa tapera quase dentro do cemitério da Rua Major Martiniano que vivia o único coveiro daquele lugar santo, José Alfredo Pereira, popularmente chamado de Zé do Cemitério, que trabalhou por lá desde 1910. As notícias da locomoção do cemitério dali já estavam tirando o sono do velho …

Ensaio para amar...

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Pareceu que, o sol tinha rompido a janela, devido à quantidade de luz daquele sonho. A manhã vinha absoluta abençoar a alegria de estar ao seu lado. Um perfume pôde driblar as facetas das lembranças e se instalou outra vez, naquele mesmo instante. Eu era um encantado e tinha a nítida certeza de que ficaria assim por um longo tempo... Logo o dia tinha nos tomado por inteiro. A essência de um sentimento também. E ficamos ali, lendo os olhares um do outro, captando as mensagens que aquele silêncio trazia e que era capaz de traduzir nossa cumplicidade. Juntos, voávamos por distâncias incalculáveis e a liberdade de nós era escrita num abraço. Estar ao seu lado, então, já não era mais uma ambição minha.
Era apenas a minha maneira de estar feliz...