100 Anos da Festa de São Benedito

Foi explorando as paredes da memória que as emoções encontraram maneiras sutis para descrever a Centenária Festa de São Benedito que acontece aqui em Aparecida. Acendendo as lembranças, isso abriu os olhos para a grandiosidade do Santo Negro que se fez numa fonte inspiradora. Símbolos coloridos estampam surpresas diferentes a cada ano. A tradição se faz a sustentabilidade proposta pela arquitetura do tempo que inova. Explorar o ritmo da festa é tornar silêncios ineficazes. Eles dizem muito, traduzem tanto.Em forma de arte, tambores dão ordens de luz, apresentando-se belos. O som vai conquistando seu espaço surtindo um efeito tão positivo que as vontades transcendem de nós parecendo superar os obstáculos cotidianos. Permite variações que encantam fortemente embutidas dentro do peito. Feito sagrado, um tanto profano. Dentro de todas essas memórias, vai compondo a história. Tudo reflete as emoções do que se pode descobrir ali numa espécie de admiração pelo desenho do acontecimento, onde a igreja, fincada num chão sagrado, faz lembrar os antigos e seus esforços que culminam nesse centenário. A festa, com suas cores, e sons, arquitetura e tudo é a tradução interior de quem se emociona com ela. Consumir esse colorido fortemente é festejar de forma singular coisas que os olhos captam de maneira ampla interagindo com a habilidade das reminiscências.
Faço dessa Festa, ás vezes perdido num deserto de versos, um oásis onde abasteço minhas emoções e lembranças:
“Os estilinguinhos furando as bexigas, os estalinhos, o medo do João Paulino e da Maria Angú, os pingentes de néon, o retratista Joaquim Dias, o Vickvaporube nos olhos dos outros, a epidemia de conjuntivite, a turma da Rua Floriano Peixoto aplaudindo a alvorada, a congada do Capitão Bento descendo a Rua 1º de maio, a cerveja de garrafa, o GHD comandando a praça, a Banda Fênix do Felipe Português, o comando e voz forte do seu Célio, a ressaca, a calabresa do Barba Papa, a paquera das romeirinhas, a gorjeta do Zé Siqueira, U2 no telão, a morte da Fabiana, o Bar do Chopp, as brigas, as fichas perdidas, o pastel surrupiado da barraca do japonês, os papos cabeça do haxixe, o show do 14 bis, o black out, a bandeja de cachorro quente esquecida que virou banquete, a cerveja fiada na barraca do Jef, o G.G. na gincana de motos, Zé Samahá na cavalaria, o preparo do espírito na Cervejaria do Nêno, Loro e Adriana, Dona Ana no café das congadas, a barraca do Tio Batata, o Bar do Ponto, Jair Socó e Casquinha tirando fotos, o lado dos ricos e o lado dos pobres, o violão urbano do Léo, Zé Rã fazendo graça, o Beto Leite com amnésia, o adeus do Zezé da Barateira, a fila do doce dando volta no quarteirão, São Benedito buscando Santa Rita “...
Por um instante, mesmo com o chumbo de velhos pensamentos, pareci voar...
Era outra congada que passava por mim e de certa forma me levava junto também.

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