Eterna cantada.


Cada época tem seus costumes distintos. Nos anos 90, os improvisos de uma cantada não era qualquer um que conseguia desferir aos ouvidos da garota. Pra se dançar uma canção na Casa da Amizade, por exemplo, tinha que ser muito bom no “xaveco”. Os chamados “boyzinhos da praça” nem precisavam disso, já que tinham seu “fã-clube” estabelecido e não passavam nenhum final de semana em branco sem uma garota bonita ao lado no carrão do ano. Mas essas eram mais conhecidas como as “Marias Gasolina” de plantão.
Na “noite da Maria Cebola” a gente tinha que dar sorte pra que alguma garota interresante fosse com a nossa cara e nos tirasse pra dançar. Coisa muito rara.
Sempre foi mais fácil naquela época descolar um romeirinha. Por ser daqui de Aparecida, as romeiras achavam que a gente era “santo”. Simples e inocentemente éramos todos “lobos em pele de cordeiro” esperando pela presa geralmente na praça da igreja velha. Durante a semana a gente ficava inventando e decorando cantadas para que no sábado e no domingo pudesse colocar em prática nos ouvidos femininos. Era essencial ser um tanto sucinto e envolvente. Mesclar essas duas coisas fazia de nós verdadeiros “experts” no assunto, pois a gente tinha que compensar a falta do “carrão” ao lado. Ás vezes, a gente até se superava, pois com o passar dos anos, os salões de baile da nossa época puderam ensinar além de tudo com quantos “nãos” se fazia um “sim”.Mas naquele tempo existiam músicas boas que ajudavam a alavancar a conquista convidando a garota a “flutuar” no salão, coisa que não existe mais. Já pensou você convidando uma garota pra dançar um “funk” bem juntinho? Nem tem como. Nem pra chegar perto da garota é possível.
Às vezes a sorte rondava nossas noites e os deuses da conquista ajudavam de forma surpreendente. Certa vez, já em fim de carreira das gandaias da vida, jogado ás traças, flertando uma garota no salão do extinto Caipiriba, tomei coragem e fui em sua direção a fim de tirá-la pra dançar. No que eu chego ao seu lado, a música lenta acaba e começa a tocar uma balada. Sem ter muito o que dizer, disfarcei e quando ela me olhou, num pensamento rápido, eu disse com certa autoridade: “acho que te conheço de algum lugar”...
Aquilo chamou sua atenção e timidamente ela me perguntou: “de onde?”
Com mais autoridade ainda eu respondi: “acho que é dos meus sonhos”...
A garota parece que adorou aquela improvisada cantada. Tanto, que está comigo já fazem dez anos...

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