quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ratos no porão

Foi numa manhã de pouco movimento na praça que um retratista ouviu o dono de uma pensão que ficava no largo da igreja velha reclamar para outro fotógrafo: 
-Camarada, não sei mais o que eu faço... Está aparecendo tanto rato na minha pensão que o movimento lá só está definhando. E o pior é que têm aparecido umas ratazanas pretas enormes que minha muié tá morrendo de medo, assim como as empregadas que trabalham por lá...

E lamentavam o caso até que o retratista entrou sem ser convidado no papo:

-Olha companheiro, estava escutando sua conversa com o colega aí e não pude deixar de notar sua aflição. Lá na minha terra, lá pras bandas de Minas Gerais, quando acontece de aparecer essas ratazanas pretas nas casas, eles arranjam uns ratos brancos.
O rato branco come todos os ratos pretos. É impressionante...
E o dono da pensão ficou com aquilo na cabeça e tratou de arrumar alguns ratos brancos pra colocar na pensão antes do final de semana. 

Passados dois dias, lá veio ele com uma gaiola e uma meia dúzia de ratos brancos enormes pra soltar nos porões da pensão a fim de sanar o problema das ratazanas pretas.

Algumas semanas depois, ele foi dar uma bronca no retratista dono daquela ideia mirabolante que não deu em nada e que fez com que o movimento da pensão fosse caindo cada vez mais.

Isso por que começou a aparecer nos quartos da pensão uns ratos cinza, uns rajados, outros preto e branco... 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Está faltando o Cartola...

E eis que todo dia, sou surpreendido pelos mortais no cotidiano das ruas falando de “Cartola”.
É o motorista do ônibus falando com o passageiro do “Cartola” que depois fala do “Cartola” com o cobrador.
É o menino que fala do “Cartola” para o pai descendo a praça.
A moça que passa apressada falando do “Cartola” ao celular sabe-se lá com quem.
Fiquei surpreso que, mesmo depois de 36 anos de sua morte, as pessoas vem se lembrando do velho Cartola.
Ah Cartola. Imortal Cartola... de “cordas e nervos de aço”.
Em 2008, ano do Centenário do Cartola, Ruy Castro foi “ter” uma conversa com o maior parceiro do compositor, Elton Medeiros. Conversa que depois acabou virando matéria do Jornal O Globo na coluna dominical do jornalista.
Numa entrevista pra lá de descontraída, Elton relembrou histórias ao lado de Cartola que mereciam um livro à parte. Falou da parceria, da poesia e do Zicartola, um bar freqüentado pela nata da cultura carioca na década de 60 “tocado” por Dona Zica e o próprio Cartola.
A entrevista ainda estava longe de terminar, quando Ruy Castro foi obrigado a encerrá-la devido ao trecho que se seguiu:
-Elton, soube que você e o velho Cartola deixaram alguns sambas inacabados, que com certeza daria um “baita” disco. Aproveitando o centenário dele este ano, o que está faltando Elton pra você terminar de compor estes sambas e lançar este disco?
A resposta de Elton Medeiros foi clássica e categórica:
-Ruy, não está faltando muita coisa não. Está faltando só o Cartola...
Eu não entendi muito bem, mas depois de algum tempo, me decepcionei em saber que o tal “Cartola” que todo mundo vem falando pelas ruas não é o verdadeiro Cartola.
Um amigo me explicou que o “Cartola” é um jogo fictício no qual as pessoas montam seus times com jogadores de futebol da vida real. Ao final do Campeonato Brasileiro, o participante que fizer mais pontos leva até prêmios em dinheiro.
Todo empolgado, ele se empenhou a me motivar a entrar no site e cadastrar um time pra participar do tal jogo. Eu ainda sou do resto de tempo em que se ouvia o futebol no radinho de pilhas. E a escalação do nosso time de coração era um ingrediente a mais na composição do imponderável que aquele jogo ia desenhar.
-Poxa Lúcio... tá faltando você no Cartola. Disse-me ele, o qual respondi plagiando o grande Elton Medeiros:
-Está faltando é o Cartola, isso sim...




terça-feira, 19 de abril de 2016

O memorável “Bar Ca..."

Há lugares que não acrescentam em nada.
Há lugares mudos. Há lugares que nos mudam. Verdadeiros incômodos a cutucar aquilo que está lá, guardado.
De repente, uma explosão de saudades. Extensa. Poética.
Meu pai ia lá.
Cansado, geralmente sexta-feira, não contente talvez em lançar a semana toda seu flash de magnésio sobre sus própria história, fazia o favor de beber suas imprudências que se diluíam dentro de um mágico copo de cerveja. Um queijo, saleiro. Palito a cutucar o sorriso.
Rua Santa Rita. Anos 90. E ali fritavam o cotidiano regado a boas doses e múltiplas conversas.
Nos momentos daquela espécie de conto, era possível encontrar um mero 3x4 amarelado na memória que logo, em traços, tornava o anônimo passado em uma magnífica importância.
Era quando na semana, fixava-se no mural interminável de coisas o desenho ou o embate gramatical de pensamentos vomitados em palavras um pouco mais modernas que as mimeografadas.
E passaram a viver esse gosto.
Iam e voltavam pra casa, pro trabalho. E sempre encontravam o caminho dali.
O mural, que veio de outro ponto pra lá, já tinha tomado ares de sagrado/profano.
A verdadeira literatura é aquela que nos mostra o quanto estamos perdidos.
Perderam-se os papéis. Perdeu-se o mural. Até o dono do lugar perdeu-se na imensidão.
Perdeu-se meu pai que teceu na minha memória aquele ato heróico de sobreviver na profundidade do balcão do “Bar Ca”.
Perdeu-se um tempo. Mas engana-se quem pensa que a memória se perdeu...


Em memória do amigo José Maria
Falecido em 13 de abril de 2016




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Pouco inspirado



Careço.
Mereço
Peço.
Faço.
Que a cedilha
rime essa armadilha
com um abraço...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Carnaval com segurança

Eu esperava pela Bernadete na rodoviária de Aparecida já respirando o clima do carnaval.
Foi por volta das oito da noite que ela desembarcou, vinda de Guará: Linda, perfumada, mas reclamando de algo inusitado...
Ela tinha ido ao Bairro de São Bento, em Guaratinguetá, resolver uns assuntos de trabalho. Na volta, no ponto do ônibus, notou um cidadão a encarando.
Quando o ônibus chegou, com todos subindo, ela por último, sentiu uma “mão boba” passando em suas nádegas. A reação da menina foi instantânea: virou e deu um soco bem na fuça do engraçadinho, o mesmo que minutos antes estava a encarando. Foi só sangue que desceu do nariz do idiota. Vendo a cena, já dentro do ônibus, todos a parabenizaram pela ação, sem aqui querendo fazer apologia à violência.
E foi de um dedo da sua mão direita que ela reclamava. Ele inchou devido à pancada desferida no delinquente.  
E fomos parar no bar do saudoso Ditão, ali na Avenida Monumental.
Nesse dia de folia estava tendo ali na avenida um desfile para se escolher a rainha Gay do carnaval. Muita gente, muito barulho.
Sentamos então em uma mesa do bar e pedimos uma cerveja pra entrar no clima. A gelada desceu maravilhosamente redonda. Um clima perfeito de festa.
Eu fiquei então sentado de frente pro bar, ela de frente pra avenida.
Depois de alguns minutos, a Bernadete me chama mais perto dela e me diz:
-Tem um cara na mesa atrás de você me encarando. Nossa, hoje tá difícil lidar com esses idiotas viu...
A minha reação foi bem tranquila. Carnaval é isso mesmo, disse a ela. Mas ainda lhe dei uma dica:
-Olha querida, quando for assim, use a cabeça, saia de onde você está, troque de lugar comigo e segue a folia. Não precisa nem me falar. Numa dessa, de repente, eu posso ter bebido demais e acaba acontecendo uma confusão. E olha o tamanho do cidadão... Perigoso eu levar até um “sapeca iaiá” dele...
Ela bebeu um gole de cerveja, olhou pra mim com certa autoridade e ternura e me disse:
-Fica tranquilo meu amor, hoje ninguém coloca a mão em você...
Eu me senti tão seguro depois dessa que até pedi outra cerveja. Aquele dedo inchado me proporcionava isso.
E depois de virar minha segurança, ela acabou virando meu porto seguro.
E hoje vivemos felizes a folia da nossa colombina Larissa...


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Um recado congelado no tempo (2º Lugar no XXVI Concurso de Contos da Biblioteca de Aparecida 2015)

Eu andava pelas alamedas do velho cemitério Santa Rita tentando encontrar a o jazigo do lendário Simão Marcelino de Oliveira, vulgo Simão Miné.
Era uma tarde nublada. Ouço o barulho de alguém varrendo o chão. Mais alguns passos e vejo um senhor negro de chapéu, fumando um inconfundível cigarro de palha cuja fumaça inundava o espaço.
Ao me ver, ele parou de varrer e me cumprimentou:
-Boa tarde!
-Boa tarde meu senhor. Por gentileza estou fazendo um estudo para um jornal e gostaria de saber onde fica a sepultura do famoso Simão Miné. O senhor sabe em que quadra fica?
-Sei sim. Mas fica lá na entrada do cemitéro. É uma das sipurtura mais antiga...
-Me deixa tirar uma dúvida com o senhor... É verdade que o tal Simão Miné era dono dessas terras todas que formam o Bairro de Santa Rita?
-Meu fio, o Simão Miné foi escravo lá pás banda de pinda. Ele foi trazido pra cá por um padre pra realizá serviço na igreja. Como ele era um nêgo ladino, não tardo muito ele começô a vendê água pus romêro que vinha na paricida rezá. Ele junto dinhêro, compro sua furria e as terra. As terras dele pegava por aqui tudo, subia o morro dus morais e ia embora grotão afora até berá o Bonfim...
-Ele então era uma espécie de dono do cemitério?
-Não. Ele tinha um grande coração. As autoridade de Guará quiria tirá o cemitéro lá de cima, mas não tinha lugar pra abrir outro. O Simão Miné deu essas terras aqui pra se fazê o cemitéro novo, que hoje virô cemitéro veio...
-Ah entendi. Quer dizer que o cemitério era em outro lugar antes deste aqui?
-Era. Era subino aqui a prefeitura. Foi um vereador de Guará que teve a ideia de criá um cemitéro ali. As autoridade compráro um terreno atráis da basílica véia. Era onde tinha o convento das irmã de São Carlo. Isso foi por vórta de 1840 e pôco. Ali o cemitéro ficô uns déi, dozi anu. Foi quando arresorvêro removê o cemtéro dali prá outro lugá. Foi sorto um cumunicado num jorná da época sabe, avisanô as famia que tivesse parente interrado no cemitéro que pudesse dá um jeito de... Como se diz mêmo...?
-Transladar!
-Isso... Isso mêmo. E com as permissão do Simão Miné o cemitéro começô a recebê os morto da ocasião...
-Isso foi em 1921 não é?
-Óia, o anu eu não carculo direito não. Só sei que o Simão Miné foi um dos primêro a sê interrado aqui na Santa Rita.
-Puxa vida! Como o senhor sabe disso tudo?
-Eu sô véio minino... Já passei dos 70 anu. Escuitei muita história que os mais véio contava. Nessa época, aparicida ainda pertencia pra Guará. Foi uma guerra danada com o povo daqui e de Guará. Aos pôco, aparicida foi ficanô livre de Guará. Se libertâno, se libertâno. Inté que se emancipô.
Essa terra aqui do cemitéro era tudo um brejo só. Minava uma água boa inté. Ali berâno a cerca do cemitéro na rua do floriano pexôto tinha inté uma tornêra pro povo pegá água. Muita gente tinha nojo, dizêno que era água de difunto. Mas os eis iscravo que vivia ali na rua do pinhão intè feiz um encanamento de bambu pra puxá água prêis. Num sei se ocê sabe, mais ali na rua primêro de maio era uma comunidade de eis iscravo...
-Não, não sabia...
-Pois intão... Daí o cemitéro foi enchêno de difunto, foi enchêno, foi enchêno.
O Sêo Américo que era prefeito, isso por vórta de 1948, arresorveu construí uns gavetão lá nos fundo do cemitéro. O povo não gostô muito não. Achou isquisito. Quando o Sólo Perêra ganhô pra prefeito, a primêra coisa que ele féis foi acabá com os gavetão. Dirrubô tudo! Mais antis ele disapropiô uns mir metro pra dentro da chácara do Sêo Joaquim Raé. Em acerto com o Joaquim Raé ele mudô tudo os corpo dos gavetão pra esse pedaço de chão da chácara.
-Nossa, eu estou impressionado com essas histórias... O senhor sabe tudo deste lugar hein...
-Pois é... Estou tanto tempo por aqui... Já vi tanta coisa acuntecê... Tantus amigo entrâno carregado pra dentro dessa eternidade aqui...
-Posso imaginar sua tristeza...
-É... Mas já acunteceu tamém umas coisa ingraçada...
-Ah é...
-É. Teve uma vêis que um prefeito chamado Arfredo borabébi veio aqui acumpanhado dum secretário dele e foi lêno as lápide dos túmo e mandâno o secretário ir anotâno os nome dos morto numa fôia...
-Ué mais, porque isso?
-É que naquela época estava formâno o bairro do jardim Paraíba. Ele tava escolhêno os nome das rua conforme os nome dos morto que ele jurgava importante...
-Hahahaha... Essa eu não sabia... Bem criativo esse prefeito...
-Eu lembro tamém quando dirrubáro o antigo muro de taipas que tinha...
-Ué mas, o cemitério ficou sem muro?
-Ficô. Ele foi dirrubado porque o muro de taipa tava juntâno muito escorpião. Aí os pedrêro ia dirrubâno uma parte e fazêno, dirrubãno e fazêno. E pra vigiá a obra, tinha um tal de vigia pilidado de pardal que vivia dando susto no zotro que passava di noite...
-Mas isso conseguiu acabar com os escorpiões?
-Por um tempo sim. Mas dispois vortô a aparecê de novo. Tanto que dispois, o prefeito Cláudio Amador inventô de colocá umas galinha dentro do cemitéro pra ver se cumia os escorpião...
-Não... Não acredito! Isso foi verdade? E deu certo?
-As galinhas começáro sê surrupiada... Aí a ideia num foi pra frente...
-Mas eu soube também que teve um prefeito que colocou alguns cachorros da raça Pit Bull pra vigiar o cemitério... É verdade isso?
-É verdade! Foi o Zé Loquinho... A história é que não tinha nenhum vigia que tivesse corage de ficar olhando o cemitéro durante a noite. Tava têno muito robô aqui sabe. Mas a ideia tamém não vingô.
-Essa passou até na televisão... Não é à toa que ele se chama Zé Louquinho não é ?...
Pois é... Ele é maluco mêmo... Você aquerdita que ele inté se casô no portão do cemitéro?
-Não, espera um pouco, isso não aconteceu...
-Aconteceu sim. Ele se casô bem em frente o portão do cemitéro e a noiva dele chego numa carroça...
--Meu Deus...Esse cara é maluco mesmo...
-É seu moço... Eu tô tanto tempo por aqui... Já vi tanta coisa acuntecê... E mêmo ânssim parece que o tempo aqui num passa. Fico aqui vênu os tùmu, varrêno pra lá e pra cá, fumâno meu cigarrinho di páia... O moço aceita pitá?
-Não, não. Eu não fumo, muito obrigado.
Meu celular toca. Minha esposa ao telefone me lembrava de umas coisas pra fazer:
-Meu senhor, o papo está muito bom, mas eu preciso ir. Adorei suas histórias viu. Vai me ajudar muito na minha matéria pro jornal...
-Que bão moço! Que bão mêmo...
-Deixe-me ir... Fica com Deus...
-Vai cum Deus tamém...
Eu havia me distraído tanto com a conversa do coveiro que acabei por me esquecer de pedir pra ele me mostrar o jazigo do tal Simão Miné.
No outro dia bem cedo, voltei ao cemitério pra resolver o assunto. Fui perguntar para outro coveiro dali sobre aquele senhor:
-Meu amigo, bom dia. Estou procurando um outro coveiro já de idade que trabalha aqui com você. Um que usa chapéu e fica fumando um cigarrinho de palha...
-Coveiro que usa chapéu e fuma cigarro de palha?
-É... Isso mesmo. Estive conversando um tempão com ele ontem e me esqueci até de perguntar o nome dele...
-Olha amigo, aqui só trabalho eu e mais dois coveiros. Não tem nenhum coveiro de mais idade aqui não... Será que não é lá no Pio XII ?
-Não, não. É aqui mesmo...
-Então, aqui não tem ninguém com essa descrição que o senhor falou...
Um lugar atemporal como aquele me despertou ainda mais minha curiosidade.
Até que o outro coveiro foi solícito. Deixou de fazer o que estava fazendo pra me mostrar o jazigo do Simão Miné que ficava bem na entrada do velho cemitério Santa Rita. A lápide de mármore um tanto enegrecida pela ação do tempo eternizava:
AQUI REPOUSA SIMÃO M. DE OLIVEIRA
+15/10/1923
TRIBUTO DE AMOR CONJUGAL
Na sepultura, não havia fotografia que pudesse mostrar quem foi Simão Miné. Mas a falta de um rosto em meio aquela eternidade não me deixou acreditar que aquele cheiro de cigarro de palha que eu senti novamente ali era apenas uma misteriosa coincidência.
Fazendo o sinal da cruz, acreditei mesmo que era um recado dele congelado no tempo...


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Jogo da vida

Dia desses, conversando com um amigo pelo WhatsApp, ele me deu a notícia de que uma amiga em comum, de seus 39 anos de idade, tinha acabado de falecer.
Fiquei perplexo. Como uma moça tão jovem pôde sucumbir assim, de forma abrupta.
Ficamos filosofando a partir disso por um bom tempo em mensagens. Logicamente, a situação acabou ficando cômica, onde nem eu, nem ele, conseguimos perder a chance de criar uma piada com os fatos.
Passado uma semana, eis que sou avisado por outro amigo, também pelo o WhatsApp, que um grande companheiro de ideais e caminhadas, havia tido um mal súbito em pleno centro da cidade, falecendo em seguida.
Tratei de, no mesmo instante, avisar aquele primeiro amigo do ocorrido, visto que ele também conhecia o finado de longa data.
Lamúrias mútuas depois, emendei a primeira saída para o triste assunto:
-Fulano, só sei de uma coisa, o placar de avisar um e outro quem morreu está 1 a 1...
No que ele responde:
-Deus me livre cara! Melhor esse jogo parar por aí viu, tá louco!...
E nos despedimos com a promessa de que “eu ainda iria virar aquele jogo”.
Lamentavelmente, no outro dia de manhã, infelizmente um outro amigo nosso, que já estava hospitalizado há alguns dias, faleceu devido a problemas hepáticos.
Não tive outra escolha e tive que avisar meu amigo pelo Zap com um tom mais ameno:
-Desculpe fulano, mas virei o jogo. Sabe o cicrano, aquele que fazia troféus, faleceu esta noite...
Passado uma hora ele me responde a mensagem:
-Que isso! Você está de brincadeira...
-Pois é...Infelizmente...
À tarde, pra não perder o foco, e nem a piada, mandei uma mensagem a ele novamente com a seguinte frase:
-Amigo, que chato, a Dona Francisca também faleceu...
Uma hora e meia depois, ele responde a mensagem:
-Que pena, esta eu não conhecia não...
E eu sarcástico, respondi:
-Eu também não. Vi agora o nome dela aqui na placa no portão do cemitério... Mas tá valendo hein, 3 a 1 pra mim...
Nesse jogo da vida, onde uns vêm e outros vão, o único remédio é rir um pouco.
Só não pode virar goleada de 7 a 1...