Falta de memória


Quando o Pronto Socorro está muito tranquilo é que chega algum “B.O.” para agitar o plantão. É de lei isso acontecer.
Certa vez, num desses plantões que não entram nem mosca , eis que pára uma viatura da Polícia Civil cantando os pneus na porta do Pronto Atendimento, fazendo todo mundo ficar de prontidão. Abrindo a porta de trás do carro, o investigador deixa sair um rapaz algemado sangrando na cabeça.
Entrando direto na sala de suturas, fui pegar os dados do paciente para um eventual prontuário de cadastro. Ele, devido à pancada sofrida na cabeça, não conseguia lembrar de muita coisa. Com o boletim de ocorrência em mãos o policial me contou que o cidadão havia se envolvido em uma briga com sua mulher que tacou-lhe uma garrafa de pinga na cabeça, abrindo-lhe a fronte. Depois de ter batido muito na companheira, o coitado quis se fazer de vítima indo até a delegacia prestar queixa de agressão contra a mulher. Tudo seria miraculosamente perfeito se seu prórpio nome não o condenassa: Ele estava sendo procurado por roubo e porte ilegal de arma de fogo.
Quis tanto incriminar a companheira que se esqueceu que era um procurado pela justiça.

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