Correndo de assombração



Bem antigamente, quando não existiam muros cercando o cemitério velho, quem passava por ali acabava “enxergando coisas”, pois, da Rua Santa Rita, dava pra ver de dentro da escuridão algumas velas queimando que iam esculpindo sombras e faziam a fértil imaginação relacionar algo misterioso com os olhos.
Um pedreiro lá da Santa Rita estava pra terminar uma sepultura que tinha começado a fazer a duas semanas. O túmulo ficava bem ao lado da cerca que limitava as divisas do cemitério com a calçada.
Depois de um dia inteiro de trabalho, já em casa, o pedreiro percebeu que estava armando no céu o maior temporal. A noite já tinha caído e ele com pressa juntou alguns plásticos velhos e lonas que estavam jogados pelo quintal e correu pro cemitério pra tentar cobrir a sepultura, já que ele havia naquela tarde terminado o reboco do túmulo e não queria que a chuva estragasse sua empreitada.
Com uma vela acesa nas mãos o pedreiro começou a cobrir sua obra quando viu um compadre descendo a ladeira da atual prefeitura. Achando que o amigo pudesse o ajudar gritou: “Ô cumpadi, vem qui”...
Olhando aquele vulto na escuridão com uma vela acesa nas mãos que o chamava, o dito cujo assustado não pensou duas vezes. Saiu correndo em disparada...

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