Sexo, drop’s e Rock in Roll.


A metade final dos anos 80 foi o auge da nossa liberdade pelos bailes da cidade. Sexta e sábado era dia de ir ao Phemafraze. No domingo o “vôrti” era na Casa da Amizade. Alguns dos nossos iam ainda curtir uma dança na GR 2000 no Potim e no D.A. em Guaratinguetá.
Mas o esquema maior era quando tinha baile no Umuarama. Baile no UCA era sinônimo de mulher bonita. Baile de bacana. Baile feito pra sonhar olhando o quadro da Garota Umuarama dependurado na parede da bilheteria enquanto se comprava o ingresso de entrada.
Entradas geralmente muito caras, difícil para nós da “periferia” custear aquela nobre diversão entre a “elite”.
Noite de Umuarama era dia de tomar “revertério” no Ce Ki Sab, assistindo clipes na antiga Telefunken do bar, pra poder chegar “ligado” no baile e xavecar as patricinhas. Quem não se lembra do “Baile da Goreti”, do Halloween que durou por 20 anos? Do Baile do Cow boy, das Domingueiras?
Nos bolsos, além de alguns míseros cruzados, sempre havia um hall’s de cereja e preserva-tivos. A camisinha era a nova proteção naquela época onde o termo “aids” começava a modificar a liberdade sexual no mundo.
A nossa meta era arranjar uma garota pra das uns beijos nos cantos do salão ouvindo U2, The Cure, Legião e outras bandas da época. Pra aquem curtia, era muito difícil arranjar um insignificante “baseado” e ninguém saía dos bailes quebrando tudo que se via pela frente como fazem hoje. Eram com certeza outros tempos.
Houve um dia de baile no UCA que coincidiu com uma semana que eu estava quebrado, sem nenhum tostão furado no bolso. E era um desses bailes imperdíveis da nossa adolescência.
Eu descia a rua do cemitério desanimado, sem achar nenhuma solução para aquele meu drama, quando encontrei na esquina meu amigo Loro teve uma brilhante idéia:
- Na entrada do clube, eu teria que dar minha carteira para alguém que estava entrando no baile entregar na portaria dizendo que “achou” no meio do salão.
Essa parte foi fácil.
Logo depois de uns quinze minutos mais ou menos, eu teria que chegar com tudo na roleta e ir entrando no clube. E foi o que eu fiz. Com toda lógica do mundo o porteiro me barrou perguntando:
-Você está maluco moleque, onde pensa que vai?
-Maluco nada. Eu saí aquela hora pra ver se encontrava a minha carteira que eu perdi. Não sei se foi aqui fora ou lá dentro...
No mesmo instante o porteiro pegou minha carteira em cima da mesa e meio desconfiado disse:
-Qual seu nome moleque, por acaso é essa carteira aqui?
-Meu Deus, nem acredito! É essa mesmo. Posso “voltar” pro baile?
O silêncio do porteiro durou uma eternidade até que ele respondeu;
-Como assim voltar pro baile, você acha que eu sou bobo? E se você deu a carteira pra alguém entregar aqui?
Instantaneamente eu gelei. Achei que o golpe da carteira era antigo. O baile imperdível tinha ido “pras cucúias”. Mas no mesmo instante, o Nelsinho, que estava ouvindo a conversa interferiu no assunto e gritou:
-Deixa ele entrar. Eu conheço o menino, ele trabalha na fábrica do seu Célio e não ia fazer uma coisa dessas. Eu quase dei um beijo no Nelsinho que de longe fez um sinal de positivo.
Naquela época o nosso único compromisso era coma diversão. Não havia Funk maltratando os ouvidos e provocando o confronto. Era só música boa. Havia sempre uma sessão de lenta para poder formar novos pares a cada noite. Muita gente se casou depois de dançar naquelas sessões de músicas lentas da Casa da Amizade e do “Phema”. Coisa que não existe mais. Levar a garota pro corredor de fora da Casa da Amizade era o ápice da conquista que em algumas raras vezes aportava em desejos juvenis num quarto úmido e barato da Pensão São Benedito na Rua João Matuck. A gente usava nossa inteligência para resolver situações que não inferissem na nossa liberdade. Uma juventude com propósitos que enfrentava algumas limitações com criatividade, sem nenhum tipo de confusão. Tempo muito diferente dessa época entorpecida e violenta de hoje em dia...

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