Volta da luz.


A parede caiada, novelada com teias aracnídeas, já não sutentam seu retrato. Ele perdeu-se na imensidão vazia da casa sem deixar vestígio que pudesse mapear um encontro pelos cômodos.
Seu retrato perdeu-se.
Pela manhã, quando pássaros imprimem a liberdade pelo céu, contesto esse desterro. Seu retrato em preto e branco era pregado por punho forte de martelo pesado, não ia se desprender assim.
As voltas dos ponteiros do relógio que ficou vai trazendo o dia e clareando o escuro. Mofos de estranhas lembranças precisam lamber o sol. A janela se livra da proteção da velha tramela carunchada. Os raios vão penetrando nesse abismo e tocam a parede à altura do prego fincado, sangrando um sangue imaginário.
Essa luz me faz atento pensando que de repente, por ironia de Deus, que também é gente, que seu retrato voltou à parede...

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