Um viva à liberdade de imprensa.


Não há necessidade de ser perito em literatura nem graduado em língua portuguesa. Galgar palavras e intoduzílas no meio em que cumprimos nosso papel de cidadão requer emoção e verdade. Um misto de dinamismo e imparcialidade.
Minha escrita é simples, com o intuito de não menosprezar a sensibilidade e a inteligência de quem lê. E a oportunidade de estar mensalmente entre as páginas de um periódico da Cidade de Aparecida, cumpre em mim uma missão para quem não tem voz e encerra ouvidos a quem se ensurdece com medo de concordar. Mas isso não me faz senhor da verdade, lógico. E é exatamente aí que emerge o respeito com o particular de cada um, principalmente de quem me lê.
Em 1968 a ditadura militar censurou a imprensa antes mesmo que o AI-5 fosse realmente editado e prendeu pessoas antes de ser anunciado oficialmente. O Jornal “O Estado de S. Paulo” foi proibido de circular às vésperas da decretação do AI-5. o Jornal “O país” conseguiu até dar um “drible” prévio na censura, mas foi logo retirado de circulação e seu editor chefe preso.
O “Correio da Manhã” e o “Jornal do Brasil” até circularam com certa normalidade. Mas na madrugada seguinte, três homens chagaram na redação do Correio querendo ver “como estavam as notícias”. Sem identificação, foram logo retirados do local e, pouco tempo depois, o quarteirão inteiro foi cercado por viaturas e a redação invadida por policiais do DOPS. Exemplares foram apreendidos e diretores presos.
A maneira encontrada foi escrever usando uma linguagem toda prórpia, capaz de enganar a “inteligência” militar. Houve então uma importante reforma gráfica e de redação na imprensa brasileira. A luta da classe foi se ajustando às dificuldades impostas e através de metáforas trocavam informações preciosas, além de mostrar que estavam sob o poder da censura sem que os “inteligentes” percebessem a estratégia de continuar exaltando toda a subversão com a época. Assim, a censura fez com qua a imprensa brasileira crescesse ainda mais em ideal informativo.
Os jornais, tablóides e quinzenais cumprem hoje o que foi conquistado há muito tempo atrás pelos que foram presos e por muitos que nunca mais foram vistos. Esse pilar histórico sustenta páginas tanto quanto propagandas e anunciantes impressos nelas. A liberdade de imprensa restabelece enfim a memória dos que lutaram naquele momento conturbado da nossa história.
O capitalismo e a “síndrome do pequeno poder” muitas vezes tentam através de um inadequado tratamento colocar a escrita presa numa profunda reclusão. Julgo isso absolutamente inviável e inconviniente. A escrita de protesto jamais deixará que uma minoria tenha êxito neste sentido.
Aniquilar nossa força, bem como calar a nossa voz é simplesmente um complemento que aguça ainda mais essa revolta íntima em continuar escrevendo.

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