O conhecido.


Um casal de idosos que morou a vida inteira na Santa Rita, mais precisamente por perto do Sindicato da Fábrica de Papel, tinha a mania de dar suas voltinhas pela redondeza todas as manhãs pra “desenferrujar” as canelas.
Saíam de casa caminhando a passos vagarosos, e com todo cuidado, percorriam a rua de paralelepípedos até antrarem atrás do cemitério.

Essa passagem, hoje rota de adolescentes que gostam de fumar um baseado, desemboca ao lado da Rua 1º de maio, ao lado da ponte da Via Dutra.
E era ali que os dois demoravam um pouco sentados nos caixotes de frutas do saudoso Seu Vicente para olhar o movimento. Depois, aos mesmos vagarosos passos, voltavam pra casa para aproveitar o restante do monótono dia.

Numa manhã de domingo, dia de muito movimento em Aparecida, fizeram o mesmo ritual da caminhada...
Ao chegarem em frente a Rua 1º de maio, deram de cara com um enterro de um senhor morto na Ponte Alta que, por coincidência, ia bem à frente de uma romaria enorme vinda do interior de São Paulo. O cortejo fúnebre acabou travando o ritmo da romaria que se dirigia ao Morro do Cruzeiro. Solícitos com o enterro, pararam de entoar seus cânticos e começaram a rezar a tradicional “Ave-Maria” até se afastarem na descida da Travessa José Amador.

O diálogo do casal ao voltarem pra casa naquela manhã foi rápido:
-Você viu quanta gente no enterro meu velho. Quem será o infeliz?
-Não sei minha velha. Será que era algum conhecido nosso? Será que não é o “cumpadre” Tião?
-Acho que não. O cumpadre Tião não era tão conhecido assim...

Ficaram “encucados” com aquilo até a hora do cochilo da tarde, pois na casa do “cumpadre” Tião ninguém atendera os telefonemas que eles deram durante toda manhã. Estavam todos na feira vendendo suas mercadorias naquele domingo de movimento.
Inclusive o “cumpadre” Tião com seu carrinho de sorvetes...

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