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Os revoltosos


Naquele dia ele fez tudo igual:
-Saiu gritando pelo campus como todos os outros, sem ter muita certeza por qual razão. Era meio desligado de tudo mesmo.
Estudante de história, na verdade queria mesmo era ficar colado numa garota que cursava medicina. Uma morena que arrastava seus pensamentos mais sacanas.
Tinha que impressionar. Ia pegar pesado no protesto. Seria a deixa para poder se aproximar da musa. Todos tinham uma “causa”. Ele pensava numa “cauda”.
Separou pedras e lançou-as vidraças afora. Estilhaços barulhentos de sua revolta. Foi neste instante em que ela lhe lançou um olhar como quem dizia “é um dos nossos”. Começou então a gritar ainda mais em meio a todos. Sentia que estava no caminho certo. Por sorte, ela não tinha seu rosto coberto. Podia assim apreciar ainda mais a beleza daquela “corajosa” mulher.
Mas para ele, não importava tanto a PM ali ou não. Sempre foi um “quebrado”.
Por conta disso nunca temeu assaltantes rondando o campus. Diferente de muitos que não estavam por ali. A maioria talvez.
Quando a invasão se decretou suas narinas não suportavam mais o cheiro forte da “erva salvadora do mundo” que, baseada em fatos irreais, andava por entre os dedos dos invasores. Sua rinite o atacou de forma poderosa e por conta disso não conseguiu conferir mais de perto o olhar da menina que lhe acompanhava. Não houve tempo nem mesmo de descobrir seu nome.
Espirros e mais espirros se tornaram ainda mais intensos quando bombas de gás foram atiradas pela PM.
Ela continuou entre os delinquentes agora de posse de uma bagana daquelas.
Acabou presa depois.
Ele foi visto num boteco que ficava próximo tomando uma Tubaína, revoltado tão e somente com sua bendita rinite alérgica despertada de repente numa hora tão imprópria...

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