A arte de mentir




Já se passavam mais de três horas que ele estava naquele baile e não tinha conseguido dançar com nenhum “rabo de saia” até aquele momento.
Era hora talvez de mudar seu repertório de cantadas diante da mulherada no salão. Encerrar esta idéia de “com quantos nãos se faz um sim”.
Antes, foi ao balcão do forró e pediu uma dose. Tascou goela adentro um copo de Cinzano com Conhaque e foi pra luta.
Bem sabia que não era um exemplo de beleza. Mas também não era horrível como se enxergava às vezes. Tinha mesmo era que ter um bom papo, o que pra ele era a mais difícil das missões.
Sempre levava alguns cravos na carteira pra reverter o “bafo” das bebidas fortes que tomava. E assim ele seguia firme no salão do forró tentando superar a falta de lábia na conquista.
A primeira que passou em sua frente transmitiu-lhe uma coragem descomunal. Tudo bem que ela era desprovida de beleza, mas ele a encarou mesmo assim.
“As feias são as mais fáceis”, pensou contrariando a veracidade de que bebeu pouco.
Num primeiro impulso, foi categórico:
“Você está linda hoje hein gata”...
A resposta da mulher foi tão rápida que doeu:
“Pena que eu não posso te dizer o mesmo”...
O balde de água fria, entretanto, mesmo desanimando o “Dom Juan”, aguçou seu lado dissimulado e ele, de “bate pronto”, respondeu:
“Faça como eu então, minta”.

No fundo, no fundo, a verdade não passa mesmo de uma mentira bem pregada...

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