Maria...



Enxergar não era mais preciso.
A realidade agora era aceitar sem contestação a partida.
A ausência dessa mulher irá a partir de agora induzir nossa saudade a criar novos elementos, propondo algumas adaptações e modificações pelos dias enfim.
No princípio, a representação da morte poderá acarretar certa revolta. Por perplexidade, se manifestará diante dessa natureza mistérios além de sua compreensão.
Tinha um fascínio pela vida. Tanto, que além de ser presenteada com quinze filhos, perdurou 85 primaveras com fôlego e capacidade de ampliar os limites impostos pelas paredes do tempo. Depois, ainda foi agraciada pela alegria de ser uma das poucas “trisavós” com moldura contemporânea.
Com seus silêncios e cabelos divinamente brancos, orações e sinais, olhos celestialmente azuis, foi protagonista do espaço que lhe coube, reelaborando diferentes maneiras de viver em comunidade.
Numa espécie de advento, viajou o mundo. Correspondia assim uma forma distinta de enxergar novos horizontes. Pela fé, conduzia o mesmo olhar dissolvendo fronteiras da vida. Essa linguagem foi então fundamental nesse longo percurso em que traçou com o destino.
Agora, nunca mais poderemos ver tudo em volta como antes, onde a experiência de sua luz em vida alterou nossa percepção de forma irresistível.
Tristeza por seu desterro minha Senhora, teremos sempre.
Mas faremos do mundo que nos resta uma grande festa, onde poderemos reconhecer nossas fraquezas e compartilhar nossa solidão celebrando esta bênção que foste. Seja no tempo que se encerrou ou na possibilidade que a própria morte nos dará para promover a grandeza de sua proteção feito Mãe que não se extingue. Feito luz que não se apaga nem mesmo nos improváveis instantes.

É hora de descansar minha Senhora.

22/07/1926
14/10/2011

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