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O sorriso da sereia.



O Rio Paraíba naquele tempo não sofria escassez de peixes, nem tão pouco detinha o esgoto de muitas cidades em seu curso. Tinha uma água quase cristalina.
As águas também detinham muitas lendas. Desde mitos criados pelos mais antigos como a “capivara encantada” e até um “dourado” que o saudoso pescador Agapito da Ponte Alta jurava que pulava o quintal das casas ribeirinhas e comia suas galinhas toda noite. Virou lenda o Agapito e suas histórias de pescador.
Muito antes disso, ele contava que seu tataravô descrevia com total fidelidade a história de uma sereia que vivia nas águas do Paraíba.
Encantando os pescadores com sua beleza de mulher, muitos deles desapareciam nas águas sem deixar rastro algum. Para espanto de todos, era o sorriso da sereia que encantava os homens pescadores que depois pulavam rio adentro pra nunca mais voltar.
O tataravô do saudoso Agapito teria sido um sobrevivente desta magia pelo simples fato da sereia nunca ter lhe sorrido. Dizia com todas as letras que ao cair da tarde ela ficava olhando pra ele lá da outra margem sem esboçar nenhum sorriso. Nessas horas, dizia que o rio ficava agitado. Os peixes sumiam e as redes de arrasto se desprendiam misteriosamente. E a sereia então desaparecia nas águas voltando somente no outro dia, sempre com a mesma seriedade. Sem sorrir.
Numa dessas tardes, ele decidiu tomar sua canoa e atravessar de um lado para o outro da margem. Em redemoinhos, a sereia ia se deslocando para longe dele como que parecendo querer mostrar alguma coisa. A lenda diz que ao encalhar a canoa num monte de areia, o velho avistou uma antiga caixa de madeira, já toda estragada pelas águas que trazia dentro moedas de prata.
Depois desta tarde ninguém nunca mais viu a tal sereia e ninguém mais se perdeu nas águas do rio.
E quanto as moedas de prata?
Muitos procuraram durante gerações tentando encontrá-las, mas sem nenhum êxito.
Sumiram como o sorriso daquela linda sereia...

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