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Atraso.


Quinto dia útil. Finalmente depois de um mês, o pagamento saiu.
Colocou seu cartão de banco na carteira e a enfiou no bolso.
Apesar de todo aparato de segurança espalhado pela cidade, não era bom facilitar, visto que, um mês antes, uma colega de trabalho fora surpeendida por dois moleques que levaram todo pagamento do mês num assalto.
Depois de digitar a senha, sacou a grana e enfiou na carteira, saindo apressado da agência.
Seu salário estava praticamente todo com o destino certo. Nunca atrasou nenhuma prestação de seus carnês.
Já no ponto final do ônibus da rodoviária, o vazio entre um itinerário e outro o colocou apreensivo. Ele havia se atrasado e perdera seu ônibus.
Todo aquele que passava lhe parecia um “suspeito”.
Foi um daqueles carros alternativos que lhe proporcionou sua fuga daquela apreensão. Pagou a passagem e seguiu viagem se sentindo um pouco mais seguro.
No ponto seguinte, alguém deu sinal para que o alternativo parasse. Entraram dois rapazes pedindo para que o motorista os levasse a um determinado destino.
Ao passarem por uma rua escura, um dos rapazes sacou uma arma e formalizou o assalto. Ele gelou. Mais ainda que o motorista que bruscamente parou o veículo por determinação do assaltante.
Como ele estava no banco da frente, disfarçadamente conseguiu, mesmo tremendo, enfiar sua carteira em baixo do banco.
Tentando se refazer do susto, ouviu a voz de um dos rapazes que já do lado de fora do carro disse em tom ameaçador:
“Desce todo mundo. Não vamos fazer mal a ninguém e nem levar nada. Nós só queremos o carro”.
Pela primeira vez na vida, suas dívidas do mês não foram pagas, onde aquele atraso, acarretaram num caos para o orçamento do mês seguinte...

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