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A vingança do bloco na rua.


As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade. Já há dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita.
O carnaval foi chamado de Entrudo por influencia dos portugueses que trouxeram a brincadeira de loucas correrias no ano de 1723 quando surgiram também as “batalhas de confetes e serpentinas”.
De acordo com antigas tradições, no século 17 existiam as Companhias de Carregadores de Açúcar e as de Carregadores de Mercadorias. Essas companhias geralmente se reuniam para estabelecer acordos realizando festejos. Essa massa reunia-se formando cortejos que consistia de caixões de madeira carregados pelo grupo e, sentado sobre a caixa, ia uma pessoa conduzindo uma bandeira. Eles improvisavam cantigas em ritmo de marcha.
Os Maracatus surgiram particularmente a partir do século 18, devido à coroação de um rei negro em 1742. Depois da abolição em 1888, os patrões e autoridades da época permitiram que surgissem as primeiras agremiações carnavalescas.
O primeiro clube realizador de bailes foi o “Dos Caiadores”. O carnaval de Recife era composto de diversas sociedades carnavalescas onde os foliões desfilavam de mascaras de fronhas rendadas enfiadas na cabeça.
Hoje, o carnaval de rua compostos por blocos carnavalescos e carros de som quase levaram os clubes à falência. Ninguém mais quer pagar ingresso para brincar em clubes sendo que o carnaval, sua apoteose, está nas ruas.
Por aqui, quem mais arrasta a multidão é a tradicional Banda Mole de Guaratinguetá. Em Aparecida, os Bloco de embalo Escondidinho, Das Piranhas, Pé na Cova e Bloco da Fiel irão alegrar o povo pelas ruas. Isso sem falar na legendária Banda Vapor do amigo João Siri.
O carnaval em Aparecida remonta a data de 1937, onde o “Bloco Sossega Leão” foi o primeiro a alegrar os dias de folia. Passamos pelo Bloco Sai que é rolo - deita e rola, Serelepes do Samba, Unidos da Ponte Alta, Só Nóis, e as eternas escolas de samba Simão Miné, Embaixada do Biafra, Dragões Imperiais e o Escama de Ouro.
As tradições dos bailes de carnaval, alvejada pela postura dos tempos, levaram de vez os blocos para a rua, deixando os clubes, com seus ingressos caríssimos, praticamente às moscas.
Quem sabe por isso, alguém ainda funde o “Bloco do Mosquito” um dia.
É a vingança tardia dos foliões através dos tempos...



Foto: O Ex-prefeito Alfredo Bourabebe em carro alegórico da Escola Escama de Ouro.

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