De tradições e glórias mil

Fui muito pouco em estádio de futebol pra ver o Corínthians jogar. Foram apenas três vezes desde 1982 quando descobri o “time do povo” depois de uma derrota para o São Paulo.
A primeira vez foi em 25 de janeiro de 1991 quando o Timão tinha acabado de se sagrar Campeão Brasileiro pela primeira vez. Era uma partida no Estádio do Canindé, jogo válido pela antiga Copa EuroAmérica contra o Hamburgo da Alemanha. O interessante é que eu não fui pra capital pra ver o jogo. Fomos eu e mais dois amigos vender quadros do Corínthians Campeão Brasileiro de 1990.
Antes da partida foi um fiasco as vendas, mesmo porque, já era proibido entrar até mesmo com jornal dentro dos estádios.
Na medida em que o tempo foi passando, fui me envolvendo com atmosfera do jogo. Debaixo da marquise do Canindé, fui sentindo meu coração acelerar em cada batida do bumbo da Gaviões e com os gritos de “Timão ê ôôô”... Tive que entrar e ver o coringão derrotar o time alemão por 1 a zero, gol de falta de neto debaixo de uma chuva torrencial.
Na segunda oportunidade eu fui ao Morumbi numa partida em que o Corínthinas enfrentou o Fluminense pelas semifinais do Campeonato Brasileiro de 2002. Ele havia perdido o jogo de ida no Maracanã por 1 a zero.
Estádio lotado. Arquibancada enfumaçada pela alto grau de maconha. Vitória sofrida por 3 a 2 que levou o Timão à final contra o Santos. Final que perdemos.
A terceira aventura foi em 2007, ano em que o Time do Povo sucumbiu à Série B do Campeonato Brasileiro. Nesta partida, o Corínthians foi derrotado por 1 a zero pelo Vasco da Gama com um gol “espírita” do Alan Kardec. Jogo em que tive que correr da polícia na entrada e na saída do Pacaembu.
Fora estes três jogos, minha vida toda acompanhei o meu time com a orelha colada no rádio de pilhas ou pela televisão. Era raro antigamente bares com “TV por assinatura”.
Mesmo assim, era muito difícil sintonizar alguma rádio que tivesse transmitindo os jogos. Durante a noite até que pegava melhor, com as ondas “indo e vindo”. Foi a Rádio Monumental de Aparecida que amenizou esta busca quando entrou em cadeia com a Jovem Pan de São Paulo e começou a transmitir os jogos mais importantes em meados de 1988.
Ainda não tenho a tal TV por assinatura em casa. Mas os bares que tem esta comodidade aumentaram. As rádios do mundo inteiro eu tenho no celular com o aplicativo RadiosNet.
Tempos difíceis. Tempos de ter quase certeza (mesmo com o imponderável) que o Timão ia levar um “sacode” do São Paulo F.C., tendo o Raí, o Palhinha e o Muller com principais algozes da minha geração.
Hoje tudo mudou. Depois de um 5 a zero e um 6 a 1 em quatro anos, todos já sabem quem é o melhor deste clássico. Já não define nossa nação o rótulo de “sofredor”. Uma nova era de grandes conquistas. Um legítimo Campeão do Mundo.
Em 33 anos de pura fidelidade e paixão, pude soltar o grito de “campeão” em 27 oportunidades. Inclusive a Série B de 2008. Um recorde!
Derrotas também ainda estão marcadas, mas sem o mesmo valor. As eliminações da Libertadores pelo Palmeiras em 1999 e 2000, a derrota para o Sport na Copa do Brasil de 2008, a eliminação contra o Tolima em 2011. Derrotas usadas mesmo pra ensinar a importância do imponderável em nossa existência.
1982 – Campeão Paulista, 1983 – Bi-Campeão Paulista, 1988 – Campeão Paulista, 1990 – Campeão Brasileiro, 1991 - Super Campeão do Brasil, 1995 – Campeão Paulista e Campeão da Copa do Brasil, 1996 - Campeão do Troféu Ramón de Carranza, 1997 – Campeão Paulista, 1998 – Bi-Campeão Brasileiro, 1999 – Campeão Paulista e Tri-Campeão Brasileiro, 2000 – Campeão Mundial de Clubes, 2001 – Campeão Paulista,2002 – Campeão do Torneio Rio/SP e Bi-Campeão da Copa do Brasil, 2003 – Campeão Paulista2005 – Tetra-Campeão Brasileiro, 2008 – Campeão Brasileiro Série B, 2009 – Campeão Paulista (Invicto), Tri-Campeão da Copa do Brasil, 2011 – Penta-Campeão Brasileiro, 2012 – Campeão da Taça Libertadores da América (Invicto), Bi-Campeão Mundial de Clubes, 2013 – Campeão Paulista, Campeão da Recopa Sulamericana, 2015 – Hexa-Campeão Brasileiro...