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O dono da arte.


Na década de 90, ter a cesso à internet ainda era muito difícil. Eram poucas as pessoas que tinham esse novo modo de se conectar com o mundo. Pesquisas de estudos ainda eram feitas folheando velhas inciclopédias e assistindo as ultrapassadas fitas de vídeo.
Tive uma namorada que corria o dia todo em trabalho, levando e buscando o filho Lucas de cinco anos na creche e depois à noite, tinha que correr pra faculdade.
Lucas estava naquela idade “curiosa”. Mexia em tudo e não podia ficar um só minuto sozinho que sempre aprontava. Aprendera na creche a escrever seu primeiro nome e toda parede pra ele parecia uma folha de caderno.
Num belo feriado, a creche onde o pequeno ficava não iria funcionar tendo a criança que ficar com uma babá improvisada até a sua mãe chegar do serviço. Eu como namorado, por muitas vezes fazia essa função.
À tarde, cansada, a moça ainda teria que digitar um trabalho da faculdade sobre a “culinária mineira e sua influência na economia de Belo Horizonte”, numa pesquisa de sociologia.
Procurando livros e inciclopédias sem os achar, teve a brilhante ideia em procurar um vídeo sobre o assunto na locadora mais próxima. Alugou duas fitas que seriam de boa serventia para seu estudo.
Em casa, pagou a diária da babá e colocou o menino, já cansado das “reinações” do dia, pra dormir. Se apossou de seus livros e cadernos, as fitas de vídeo e sentou no sofá. Ligou o vídeo cassete e colocou uma das fitas pra começar a pesquisa. Mas quem disse que a fita de vídeo entrava...
Algo impedia a entrada da fita causando nela um stress que quase levou o vídeo cassete janela afora.
Contando-me o caso, no outro dia, apossado de algumas chaves de fendas e alicate, resolvi abrir, por curiosidade, o aparelho de vídeo só pra ver o que impedia a fita de entrar.
O stress do momento acabou virando riso quando nos deparamos com algo que, de certa forma, tinha a ver com sua pesquisa: um belo pão de queijo dentro do aparelho que cujo as letras de uma criança, escritas com canetinha “SilvaPen”, indicavam o nome do “suposto dono” da iguaria mineira e da “arte” também: 
“Lucas”...

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