Promessas ao vento...


Um prédio alto, cujas janelas, dão de frente ao telhado da minha casa.
Lá, fumantes tentam desvairadamente clarear a noite luzindo em brasa a ponta de seus companheiros inseparáveis.
No final de cada cigarro, arremessam as “bitucas” que encontram as telhas sem alarde. E ali elas ficam queimando silenciosas o que resta do composto químico que não sucumbiu numa tragada.
Dias após, esquecidas na imensidão dali, um vento forte varre tudo pra baixo. Pairam as “bitas” bem em frente a minha porta.
Pacientemente, me vejo recolhendo-as, uma a uma, numa pequena sacola plástica pra jogá-las no lixo num gesto costumeiro depois de cada ventania ou chuva.
Mas, nesse deslocar, eis que vejo do outro lado da rua, o carro de uma das fumantes que contribuem para aquela poluição.
Instinto interrompido apenas para que, na busca de uma caneta e papel, eu possa escrever um bilhete pra ela e amarrar junto a sacola com as bitucas de cigarro em uma das portas do seu carro:

“Estas são as bitas dos cigarros que vocês jogam em cima do meu telhado. Estou devolvendo porque na minha casa ninguém fuma”...

O efeito foi um sonoro pedido de desculpas e a promessa de que não irá mais se repetir tal conduta.
Espero apenas outra ventania para confirmar tal promessa.