Tardes de inverno


Após tomar seu café sem açúcar, sentava-se
à beira do portão, alheia às causas do mundo.
Ia desenhando na memória cansada a vontade
inversa da velhice.
Cabelos negros, dando-lhe uma beleza toda própria,
diferente das avós do tempo.
A aliança gasta pela lida da vida.
Beirais altos como a fé antiga.
Flores pelo quintal estreito.
Avencas miúdas compondo o encanto do acaso.
Vasto coração onde cabiam muitos.
Um muro separando a grande saudade do menino.
A vida em si é composta por saudades...
E partiu então numa tarde triste de um inverno longínquo.

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