Inconsciência infantil





Outra vez, pela manhã, dei de cara com um papel grudado perto do assento do motorista do ônibus que estampava: “Tarifa R$ 2,25”.
Apesar do cotidiano dos passageiros do circular Guará/Aparecida ser difícil, com poucos ônibus, o que acarreta em conduções superlotadas, ninguém reclama dos aumentos da passagem. É um silêncio cortante que fez passar despercebido o acréscimo de 15 centavos.
Tão logo o ônibus chegou à rodoviária de Aparecida adentraram no veiculo uma quantidade considerável de pessoas, e entre elas, uma moça com seu filho de aproximadamente sete anos de idade.
Subindo os degraus, antes de passar por debaixo da roleta, numa das maiores e mais antigas expressões de humilhação contra a criança que é obrigada na maioria das vezes a engatinhar num local sujo por onde passam centenas de pessoas todo dia, o menino disparou uma pergunta que soou alto pelo ônibus ainda sonolento da segunda-feira:
“Mãe, o que é tarifa?”
Procurando moedas na bolsa, a mãe teve uma resposta categórica:
“Nem queira saber meu filho, nem queira saber”...
A sonolência citada perdurou sem que aquele diálogo a despertasse.
Quem me dera eu ainda tivesse essa “inconsciência” infantil ou que essa inocência não emoldurasse mais o silêncio atordoante dessas revoltas cotidianas desenhadas nessa manhã...


Dedico este texto aos Alunos da Professora Amanda do 3º ano D
da Escola Profº Joaquim Pereira da Silva de Pindamonhangaba

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