Percepção de um tempo.

Você percebe que é Natal quando as ausências começam realmente a pesar. E entre luzes que vão piscando incansavelmente, você encontra o brilho de um instante.
Você começa a perceber que chegou o Natal quando qualquer barulho parece um som e quando cada som retrata uma canção.
Seu pensamento procura abrigo no que é belo, seus olhos alcançam o impossível e sua percepção de felicidade acaba superando os momentos.
É Natal quando o gosto pelas coisas simples se engrandece. E dentro deste tear de uma incansável inspiração, palavras emanam da alma luzente, versejando aquilo que passa imperceptível diante dos olhos.
Você acredita que é Natal quando deixa de ver as dificuldades da vida e se supera. Quando esquece a distância e reencontra o que se faz distante. Quando as perdas, por elas só, inspiram e ensinam a valorizar.
Quando estranhamente dividido pelas horas cotidianas, se lembra de um sorriso e pára um pouco de correr sem direção, desdenhando a insuficiência do tempo.
Ah o tempo... Aspecto ilusório de um poderio, escrita invisível de uma resposta inexistente, oculta companhia de um caminho imaginário...
Você entende que é Natal no exato instante que suas narinas percebem o “cheiro“ do Natal. Não falo de todas as comidas especiais feitas nessa época que a maioria não pode comprar. Falo de uma essência incomum. Específica e inexplicável.
Quando chega o Natal as pessoas perseguem o amor idolatrando a alegria construindo mil caminhos para se chegar a um só lugar. Nesta época você resgata sentimentos esquecidos e os lança a esmo pelo ar. Eles então emolduram a vida ás vezes cansada, mas que não desiste nunca. Quando na plenitude dos dias você acredita piamente no coração sem ter medo da solidão.
Você sabe que é Natal quando não vê as diferenças nas pessoas e aceita cada um da forma que é, aprendendo um pouco com essas formas distintas de se viver. Quando na arquitetura do peito você cultiva uma flor regada a muitos sóis e que se torna um sinal para seguir acreditando na vida.
É Natal pela simples conduta poética de cada segundo, ou quando, de uma forma soberana, Deus, navegando pelos instantes, ilumina o momento com paz, saúde e um incandescente sentimento que dura sem determinação de tempo.
É Natal quando você se curva diante do Menino Jesus como se também fosse um rei e oferece todos os dias de presente à Ele, acreditando sempre no poder supremo de sua enorme presença...


Boas Festas. Feliz 2015

Postagens mais visitadas deste blog

Histórias de um sagrado manto

As ruínas da nossa história (01)

Os 90 anos do Cemitério Santa Rita em Aparecida